Estava voltando pra casa, mas assim que desci do ônibus, minha sandália rasgou. Depois de três ligações para tentar uma carona que se compadecesse da minha dor e humilhação sem sucesso, decidi andar até em casa assim mesmo.
Eu decidi, mas fiquei parada, esperando o melhor momento e a melhor maneira. "Espero o sinal fechar né, porque atravessar a avenida correndo nem pensar", "Vou arrastando a sandália até em casa como quem torceu o pé ou tiro ela de uma vez?", "Calma, isso acontece com todo mundo, você é adulta e vai saber lidar com isso".
Atravessei a rua arrastando a sandália. Ridiculamente arrastando a sandália. Os carros buzinaram porque eu não estava na faixa de pedestre e andava devagar: arrastando meu pé direito com minha sandália de dedo rasgada. Era uma avenida de mão dupla, com um canteiro no meio. Parei no meio e decidi tirar a sandália pois, por mais que eu quisesse que achassem que eu havia torcido o pé, isso só estava chamando mais atenção para meu pé e as pessoas iam ver que, na verdade, a minha sandália de dedo havia rasgado e eu era vaidosa o suficiente para simplesmente querer que eles achassem que eu havia torcido o pé. O que seria muito mais constrangedor, por elas já saberem tanto sobre meus traços de personalidade em tão pouco tempo.
Como a fantasia de "Menina com pé torcido mancando" não ia dar certo, vesti a de "descolada louca" e fui descalça. De calça social, bolsa social, maquiada... e descalça. Quando chego do outro lado, a primeira coisa que vejo é uma mulher passeando com seu cachorrinho, que usava sapatinhos pretos. "Essas coisas só acontecem comigo", "Esse cachorro bonitinho foi colocado estrategicamente no meu caminho para me constranger e humilhar, só pode ser" "Quem fez isso?? Quem fez isso?Quem é o dono desse jooogo???"
Calma. Controle-se. A fantasia de "descolada louca" podia dar certo. E caberia até interpretações mais profundas como "Tadinha, dia ruim no trabalho, tirou os sapatos para sentir a a terra e relaxar". É, podia, podia, mas olha que nem emprego eu tenho no momento.
Pra completar, chego no hall do prédio, esperando o elevador, que também era aguardado por mais gente. Um casal que procurava um ap para alugar. E eu, a primeira possível vizinha que eles conhecem, lá, descalça, "descolada louca", com seu par de sandálias na mão, esperando o elevador.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Perseguidos pela lua
Na van, voltando pra casa à noite após uma tarde exaustiva de trabalho, um menino de uns três anos, sentado no colo do pai, que carregava a lancheira azul de super heróis do menino, fazia perguntas durante todo o caminho.
Eu sei que você já ouviu falar dessa fase, em que as crianças perguntas o porquê de tudo. Eu já ouvi muito falar dela e suspeitei que o menino havia visto uma matéria especial na TV sobre o assunto, pois, apesar de ter ouvido falar, nunca havia presenciado um interrogatório de 30 minutos ininterruptos sobre assuntos aleatórios de uma crianças aos pais. Aquele menino estava fazendo isso e parecia de propósito. Ele viu a matéria na Discovery e pensou "Hoje à noite vou sacanear meu papai fazendo trilhões de perguntas". Perverso o menino.
Em certa altura do caminho, o menino olha para o céu inquieto, enquanto coça a palma da mão e pergunta:
- Papai, por que quando a gente para, a lua para?
Achei lindo e sorri. Pensei em várias respostas para aquela pergunta. Pensei tanto que nem ouvi a resposta do pai do menino. Aconteceu já faz uns três anos e eu nunca esqueci.
Eu sei que você já ouviu falar dessa fase, em que as crianças perguntas o porquê de tudo. Eu já ouvi muito falar dela e suspeitei que o menino havia visto uma matéria especial na TV sobre o assunto, pois, apesar de ter ouvido falar, nunca havia presenciado um interrogatório de 30 minutos ininterruptos sobre assuntos aleatórios de uma crianças aos pais. Aquele menino estava fazendo isso e parecia de propósito. Ele viu a matéria na Discovery e pensou "Hoje à noite vou sacanear meu papai fazendo trilhões de perguntas". Perverso o menino.
Em certa altura do caminho, o menino olha para o céu inquieto, enquanto coça a palma da mão e pergunta:
- Papai, por que quando a gente para, a lua para?
Achei lindo e sorri. Pensei em várias respostas para aquela pergunta. Pensei tanto que nem ouvi a resposta do pai do menino. Aconteceu já faz uns três anos e eu nunca esqueci.
Assinar:
Comentários (Atom)