sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Academia - Primeira semana

Alguns aparelhos de musculação são ao mesmo tempo assustadores e constrangedores. Eu sinto isso quando olho em volta daquela sala cheia de pessoas sendo temporariamente usadas pelas máquinas. Sim, elas usam a gente enquanto riem por dentro da nossa falta de intimidade e malemolência na hora de utilizá-las. Aí tem aquela máquina que você não sabe nem pra onde vai, na qual você deve  deitar de bunda pra cima, numa posição de quatro e, como cadela fazendo xixi,  levantando as pernas repetidas vezes. O ó.

Nessa hora você não quer olhar para ninguém. Fica ali, com sua cabecinha baixa, porque você tem certeza que TODOS estão olhando a jeguisse dos seus movimentos. Você só reza para que acabe aquela tortura e faz tudo cada vez mais rápido enquanto seu corpo treme. De emoção, claro.

A aula mais desumana de todas é a tal de Jump. A primeira vez foi traumática. Eu tinha certeza que todas as pessoas que compartilhavam aqueles pulinhos “de alegria” comigo em cima daquela lona azul só podiam ser de outro planeta.  Não era possível que só eu não agüentasse passar cinco minutos pulando que nem macaca naquela superfície instável sem me cansar ou desequilibrar. Então era só eu que queria fugir dali e correr para uma caminha fofinha e permanecer em uma posição horizontal confortável? Me convenci de que eram todos mutante ali.  Mutantes com seus superpoderes de super-energia saídos da mansão de Charlies Xavier só para humilhar pobres mortais como eu.

Eu, saindo à francesa, estava quase na porta quando a professora me puxa: “Volta!!!”. “Er...ia tomar uma água”. Mentira, claro. Mas vai que ela usa um dos seus poderes contra mim? Voltei para a aula que nunca acabava. Foram umas 20 músicas (entenda que minha capacidade de contar, a essa altura, já estava completamente comprometida porque meu cérebro havia descolado da minha cabeça de tanto que pulei).

Quando acabou, eu fui embora e os outros ficaram aguardando a próxima aula. “Malditos mutantes”, pensei.

E tem o Step, né? Você que sempre achou que tem um bom ritmo precisa fazer uma aula de step para descobrir que não, você não tem. Primeira aula você será a clássica barata-tonta depois de uns “bons drink”. Tome cuidado para não tropeçar no degrau, no seu próprio pé e talvez até na sua mão. Não duvido de nada.

Entenda que essa aula exige muita concentração, pois, além de fazer os movimentos, você deve utilizar a memória para gravar em sua mente as sequências e, ainda, de vez em quando bater palmas. Tem como isso dá certo? Não, não e não. Se você ouvir uma palma enquanto todos tocam o pé esquerdo com a mão direita, sou eu errando nos passinhos e chamando a atenção de todo mundo. \o_

Só sei que...

Depois de seis dias de malhação, não consecutivos (sorry), e enfrentando uma maratona de trabalho-academia-inglês/reunião sem fim, chego em casa morta, com dores e esfomeada.

Dia desses, após umas aulas absurdas dessas disse para amiga que malha comigo e compartilha o doce momento de seguir em pé no ônibus até nosso destino: “A gente pode marcar um dia, desses depois de malhar, parar no Laça Burguer e comer um super Laça Coração para repor as energias, né...?”.

Eu não presto.

Mas acho que ela também não, pois concordou.

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